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Minha caixinha de ouro.

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Era uma vez uma menina. Guardei-a em uma caixinha de ouro, a caixinha de ouro mais linda que havia no mundo. Procurei, na beleza da embalagem, esconder um pouco da culpa que eu sentia em sufocar aquela linda menininha que me encarava sem entender. Eu disse palavras bonitas, prometi apenas um “até logo”, jurei que jamais diria “adeus”. Ela sorriu pra mim. Eu chorava e ela limpava minhas lágrimas, dizendo que estava tudo bem. Consolava-me com a ideia de que eu já voltaria e poderíamos estar juntas de novo, que tudo, no final, ficaria bem. Ela não era capaz de compreender. E eu não era capaz de encará-la nem mais por um segundo. Deixei com ela um caderno grosso e caneta que cuja tinta nunca acabava, disse para que escrevesse tudo que pensasse ou sentisse. Prometi-lhe que leria cada letra que estivesse marcada naquele caderno e pedi-lhe que colocasse nele tudo de si. Eu já voltaria, ia ser muito rápido. Ela sorriu pra mim. Afagou meus cabelos com a serenidade dos adultos e segurou minhas m...