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Mostrando postagens de 2023

Quase 33

Tenho quase 33 anos E resolvi publicar um livro Não porque ele esteja pronto Mas porque nunca vai estar Tenho quase 33 anos E resolvi amar a mim mesma Não porque ninguém me ame Mas porque eu preciso me amar Tenho quase 33 anos E resolvi correr atrás da vida Não porque eu não tenha tempo Mas porque não quero esperar Tenho quase 33 anos E já vivi tanta coisa Mas não vivi quase nada Tenho quase 33 anos E já entendi tanta coisa Mesmo sem entender nada. Marcela Quintela 14 de dezembro de 2023

Trinta e dois

Quase 33 anos Idade de cristo Idade de filho E eu pensando em visto   Quase 33 anos Cabeça de nova Corpo de velha E ser mulher é uma prova   Quase 33 anos Muito bonita pra ser solteira Muito solteira pra ser bonita E não vou acertar nem que eu queira   Quase 33 anos Com pouco dinheiro pra uma casa Com muita casa pro meu dinheiro E o que me resta é dar risada   Quase 33 anos Ainda seguindo regra demais Ainda me conformando de menos E o que eu quero, eu corro atrás   Quase 33 anos Com tanta vida em pouca idade Com pouca idade diante da vida E sempre teimando na felicidade   Quase 33 anos Com tanto quase pra pouco tudo Com tudo que eu quero na fila do quase E eu que não canso de querer o mundo Marcela Quintela 14 de dezembro de 2023

Des-contruir

Mudança Que muda a dança Da criança Que não se cansa Fácil Esperança Que espera e alcança Sempre mansa Mas que avança Feroz Confiança Que confia na trança Da segurança De quem se lança Feliz Lembrança Que lembra da bonança E toma liderança Com uma perseverança Fugaz Marcela Quintela 14 de dezembro de 2023

Próprio Amor

Todo mundo Que vem E não fica É só mais um   Coadjuvante Temporário Esquecível Banal   Porque você Que vai e fica E se entrega É inteiro   Protagonista Soberano Extraordinário Único   Quem merece Sua emoção Sua lágrima Sua saudade   Sinceras Profundas Potentes Delicadas   É quem luta E se interessa Quem se permite E valoriza   Momentos Trocas Entregas Verdades   E um dia Há de chegar Um amor Que venha e fique   Puro Bonito Calmo Especial   Nem que seja o seu. Marcela Quintela 12 de dezembro de 2023

Combatente Coração

Meu coração é forte, mas dói demais. Já tem muitos anos que eu descobri que dor não é sinônimo de fraqueza. Entendi que coração fraco é aquele que não é capaz de suportar a dor. O meu suporta, mas como dói. Existe algo de dilacerante no sentir em excesso, no rasgar do limite das emoções, alargadas pela intensidade de ser. E eu nunca soube sentir de menos. Tem também qualquer coisa de bonito na capacidade de aprofundar cada canto de cada emoção, no nadar num oceano de sensações, pensamentos e sonhos. Mas o mesmo calor que aquece todos os nossos sentidos e ilumina a alma também pode queimar a pele. Uma versão minha do passado escreveu “eu sou mais forte que você, porque eu sinto tudo na intensidade que deve ser”. Essa versão minha já sabia que o coração frágil é aquele que mal suporta uma batida regular, e jamais sobreviveria à taquicardia de uma grande paixão. Meu coração é taquicárdico — ele bate eufórico ao ritmo de cada sentimento. E não há remédio que cure esse mal. Eu aprendi a...

Palavra-passarinho

     Eu sinto um ciúme qualquer das palavras que não são minhas. Ainda agora, no ponteiro dos minutos, uma amiga enviou um texto que a fez chorar. E, na grandiosidade da minha pequenice, nasceu uma flor de ciúmes dentro de mim. (Digo ‘nasceu’ como se fosse um evento novo ou inédito, mas, na verdade, é como um botão de flor que nasce num velho jardim.) Li aquelas palavras como quem procura uma razão pra tamanha traição. Por que ela, e não eu? Vi beleza nelas com um misto conhecido de arrogância e humildade que só quem se compara é capaz de sentir. Teci um elogio como quem abre uma gaveta cheia de sentimentos bagunçados e escolhe a única coisa que podia mostrar. É que eu não tenho ciúmes das palavras, tenho ciúmes do poder delas.      Há muito tempo, no ponteiro das décadas, eu comecei minha cura e minha sina de rabiscar palavras no papel. E lembro até hoje, com a clareza das memórias da alma, do dia em que as minhas palavras deixaram de ser só minhas. Eu ti...

Platonismo sombrio

Se até a minha sombra Me escapa O que é meu de verdade?   (Se até a minha lágrima Resseca O que é a tristeza infinita?   Se até a minha paixão Se põe O que é o para sempre?)   Nas ruas vazias em meia luz Vi minha sombra fugir de mim Como fugiram os amores E as dores   Ouvi no farfalhar dos passos O mesmo som de fundo Daquelas palavras que te enviei E que ecoaram   Seria o meu destino Saltar eternamente em pedras platônicas Até que elas também Me escapem?   Marcela Quintela 01 de setembro de 2023 

A gente sempre foi um livro

     Hoje eu viajei no tempo. Que me perdoem os cientistas e os matemáticos, que me escuse a lógica e a razão, mas eu vou até o fim do mundo a jurar que hoje consegui quebrar as barreiras do tempo-espaço. Desliguei a nossa ligação quase com uma urgência que eu mal entendia, mas que depois havia de reconhecer. Como naquelas cenas de filme de investigação, entrei apressada pelos arquivos empoeirados dos meus textos antigos e das jurássicas mensagens trocadas. Revirei tudo. Joguei papéis imaginários pra cima, derrubei caixas fictícias na ânsia de encontrar informações, achei fotos guardadas no final da prateleira de cima do último corredor da mente profunda. Encontrei os manuscritos borrados das nossas conversas digitais e li cada linha torta deles como se devorasse um livro. Um livro de nós dois.      Como quem lê um livro e entra num vortex de tempo, fui dormir com ele metaforicamente aberto no colo, e acordei tropeçando nas linhas das palavras. Não fui capa...

A gente sempre foi muita coisa

Hoje eu descobri O que eu sempre soube Sem saber Sem perceber Sem entender Ou sem querer Descobri por acidente Ou fatalidade Ou serendipidade Ou destino Que em todos os olhos Que esbarrei Procurei (Sem encontrar) A cor dos seus E abri uma caixa Que enterrei em mim No quintal dos medos (Ou seria uma garrafa Que joguei No mar da vida?) Não li a carta Dentro da garrafa E nem poderia Porque a água (Do tempo) Borra a tinta Das canetas da alma E eu Que não lembro de nada Não lembro da carta Mas sei (E sempre soube) Talvez não as palavras Mas a mão Que escreveu cada linha Hoje eu pensei O que nunca tinha pensado: Será que o castanho Que mancha o verde Sempre esteve lá Ou fui eu Que deixei cair dos meus Quando morei ali? Nunca escrevi poema sem rima Nem ritmo Nem regra Mas também Nada que fiz Ou senti Ou vivi Ou imaginei Com você Foi desoriginal. Marcela Quintela 27 (ou 28) de agosto de 2023

Ferida Aberta

Tenho uma ferida aberta no meu coração De todos os amores que tive Que não souberam me amar de volta Tenho um soluço de choro sem solução De todos os vazios que tive Quando abri meus braços sem resposta Tenho um medo profundo e sem razão De todas as decepções que tive Por fazer sempre sozinha a mesma rota E entre feridas, soluços e medos Que me sangram, me secam e me assombram Vou vivendo entre levezas e pesos Plantando luzes nos jardins das minhas sombras Marcela Quintela  05 de agosto de 2023

Londres Feroz

Fiz de mim esfinge. Logo eu, soberana dos meus sentimentos. Criei tantos quadros para esconder os cofres dos reais pensamentos que a senha dos segredos ficou perdida nos dedos sujos de tinta. Era madrugada em Londres quando olhei para minhas mãos manchadas e li uns números borrados de cores primas. Mas eles não faziam sentido. Perguntei a mim mesma todas as perguntas de segurança. Não soube responder nenhuma. Esquecimento, confusão ou fuga? Mais uma pergunta sem resposta. Escavei sentimentos. Ou tentei. Aprofundei autoquestionamentos como se fizesse uma expedição pelo fundo do mar dos meus medos. E, mesmo assim, lá no fundo era tudo escuro. Não vi peixes, não vi sereias, não vi respostas. Ou será que sou eu minha própria sereia, me confundindo com cantos ilusórios para cair nas armadilhas da minha insegurança? Dentro das pequenas mentiras conscientes e inconscientes que contamos para enlevezar (licença poética) o peso do nosso sentir, criei minha própria cortina de fumaça. É o não-sabe...

Ei, moço

Moço bonito Do sorriso marcado Já te disse que o tempo Passa melhor do seu lado? Moço bonito Do carinho na mão Vê se no seu bolso Ficou meu coração Moço bonito Da conversa ligeira Uma semana contigo Valeu a vida inteira Moço bonito Do abraço forte Te conhecer foi destino Ou só pura sorte? Moço bonito Do beijo fogo Será que só eu É que preciso de novo? Moço bonito Que me encantou Me diz hora e lugar Que eu te digo "vou". Marcela Quintela  11 de fevereiro de 2023