A gente sempre foi muita coisa
Hoje eu descobri
O que eu sempre soube
Sem saber
Sem perceber
Sem entender
Ou sem querer
Descobri por acidente
Ou fatalidade
Ou serendipidade
Ou destino
Que em todos os olhos
Que esbarrei
Procurei
(Sem encontrar)
A cor dos seus
E abri uma caixa
Que enterrei em mim
No quintal dos medos
(Ou seria uma garrafa
Que joguei
No mar da vida?)
Não li a carta
Dentro da garrafa
E nem poderia
Porque a água
(Do tempo)
Borra a tinta
Das canetas da alma
E eu
Que não lembro de nada
Não lembro da carta
Mas sei
(E sempre soube)
Talvez não as palavras
Mas a mão
Que escreveu cada linha
Hoje eu pensei
O que nunca tinha pensado:
Será que o castanho
Que mancha o verde
Sempre esteve lá
Ou fui eu
Que deixei cair dos meus
Quando morei ali?
Nunca escrevi poema sem rima
Nem ritmo
Nem regra
Mas também
Nada que fiz
Ou senti
Ou vivi
Ou imaginei
Com você
Foi desoriginal.
Marcela Quintela
27 (ou 28) de agosto de 2023
Comentários
Postar um comentário