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Mostrando postagens de 2024

Sobre saltar no amor

Se um dia Fui capaz de pular De um avião no ar Entre medo e sorriso Como poderia Fugir de um amor Ainda que assustador Por um tropeço antigo? Não seria O "se apaixonar" Tal qual pulo no ar Emocionante e desconhecido? Entao, eu diria Na queda livre ou na dor, É vestir de coragem o temor Por um simples motivo: Levo sempre o amor-próprio de pára-quedas. Marcela Quintela 21 de outubro de 2024

Livro

 Abri um presente de livro Com a serenidade dos leitores sábios Com a pressa dos amantes ávidos Com o sabor da fome de ler Me aconcheguei em cada palavra nova Como quem lê livro repetido Como quem encontra personagem antigo Como quem reconhece ao conhecer Virei cada página de momento Com olhares atentos de curiosidade Com ares de descoberta e cumplicidade Com cuidado de bem-querer Me entrelacei em curva de ponto e vírgula Como se navega o mar profundo das palavras Como se confessam as juras caladas Como se valoriza o delicado viver E fiz, de cada letra, capítulo de sentimento Com uma entrega bonita de corpo e alma Com a urgência do devorar com calma Com um desejo sincero de não te perder. Marcela Quintela 10 de outubro de 2024

Farol

Me embolei Nas tuas palavras ágeis Em mãos inquietas Na pressa de mais Em fome de sexo No gozo, no nexo Em tarde de paz Me entrelacei Nas nossas línguas (Físicas, figuradas) Nas pernas, nas mãos Em águas agitadas No sofá, na cabana Em cama e tesão Me encontrei Nos olhares indecentes Em toques ardentes No prazer sem fim Em horas, em dias No teu corpo, na poesia Em tudo de mim. Marcela Quintela 28 de agosto de 2024

(Des)pedido

 Se você não me quer Por inteira Me deixa ir embora Porque eu não sei Ainda Te dar só metade de mim E nem sei se consigo aprender. Marcela Quintela 6 de julho de 2024

Bar do desfuturo

No bar escuro Dos desamores Bebo prosa E fumo poesia Com a sabedoria De quem se demora Afogando as dores Do desfuturo Marcela Quintela 04 de agosto de 2024

Entardecer

 E quando você voltar Um dia, talvez Mais tarde Espero mesmo  Que seja tarde Tão tarde  Quanto o tarde demais E se você voltar  Arrependido Espero que meu coração  Já tenha ido Não porque te amei de menos Mas porque soube  Me amar demais Marcela Quintela 09 de agosto de 2024

Leve poesia

Levo sempre comigo Cicatrizes de amores mal curados Dívidas de sonhos falidos E o peso dos poemas guardados Levo sempre nos bolsos Centavos de profundas nostalgias A sina dos românticos e tolos Emaranhados de tristeza e alegria Levo sempre na alma Esperanças de dias bonitos Um desejo inquieto de amar com calma A intensidade da paixão dos aflitos Levo sempre, ou sou levada Pelos agitos dessa vida sem pressa Uma bússola de sentir descompassada Porque, afinal, assim é ser poeta Marcela Quintela 26 de julho de 2024

Farfalhar de felicidade

Hoje eu ouvi o farfalhar das árvores. Perdoem-me os que acharem isso a mais vulgar das vulgaridades, mas, para alguém como eu, isso é um feito e tanto. Carrego de nascença uma perda auditiva moderada e há um tanto de sons por aí que nunca entraram no meu repertório. Mas hoje, nessa tarde despretensiosa de um domingo qualquer, eu ouvi, com o ineditismo especial que só as coisas óbvias sabem ter, o farfalhar das árvores do jardim. E foi assim que descobri a música da natureza. Não é de hoje que eu sei que as árvores dançam, mas só hoje eu descobri qual é a música que agita as folhas e faz rodopiar até o mais tímido galho. O mais curioso de tudo é que ainda me levou um tempo pra saber ouvir. Num primeiro momento, eu não soube diferenciar barulho de farfalho, e tudo pra mim era ruído. Mas o vento foi gentil e fez o favor de esperar um momento breve. E depois, como num espetáculo perfeito sem ensaio, recomeçou a dança rodopiante e, com ela, a música esverdeada tomou conta de todo o espaço...

Desafinada

  Sou poeta por falta de escolha. Acho que já vim ao mundo borrada de tinta de caneta. Me faço casa em cada folha de papel, real ou figurada, e existo no mundo tropeçando em letra. Ser poeta é tanto dom como sina, e não tem a ver com rima, mesmo que transborde até assim, querendo ser sem se querer. Poesia é mais que soneto, é mais que verso, é mais que estrofe — poesia é sentir o mundo, em vez de ver.   Quem vem ao mundo poeta aprende, sem aula nem professor, a ver beleza nas vírgulas, suspiro de amor em parágrafo, estrela em pingo de i. É tipo de gente que só sabe ser inteiro por escrito, seja no rabisco da folha ou no do pensamento. Na cabeça feita de neurônios de poesia, as palavras dançam incessantes uma dança das cadeiras sem fim, onde nunca falta lugar e a música não ousa parar. É no embolar das entrelinhas que a poesia desata os nós do coração.   A sabedoria da vida fez de mim poeta desavergonhada. Antes tão temerosa do título, aprendi com Chico que desafinado tamb...

Menino-trevo

Menino trevo de quatro folhas Das palavras doces e do riso solto Me encontrei no teu abraço-casa E me perdi no cheiro do teu pescoço Menino bonito dos olhos profundos Que navega a vida com sabedoria Não tem medo de chuva, ou sombra, ou pranto Você, pra mim, já nasceu poesia Menino presente-do-universo Que ilumina caminhos com luz de leveza Entre olhos e cara, valores e alma Eu mal sei como cabe em ti tanta beleza Menino de mel e doçura apurada Que brinca com doses de acidez e pimenta E tem tanta cor nessa receita tão única Que o paladar do meu coração mal aguenta Menino raro feito em aquarela Que borrou minha vida com tinta de felicidade Te quero hoje e amanhã e pra sempre Nesse misto bonito de amor e amizade Menino de sorte, gratidão e carinho Que se transborda pelo mundo, assim, sossegado Se aconchega em mim num abraço infinito Que a vida é mais bonita com você de lado Marcela Quintela 12 de março de 2024

Menino dos olhos claros

Menino calmo Dos olhos claros Da alma bonita E do sorriso largo Chegou de manso Balançou meu barco Coloriu os dias E se fez abraço Me trouxe sorte E calmaria Ecoou no ótimo E na sintonia Fica à vontade Sinta-se em casa Te quero tanto E não peço nada Só mais um beijinho E um aconchego Uma noite longa E um desassossego Menino livre Que sabe voar Te espero aqui Quando quiser pousar Marcela Quintela 21 de fevereiro de 2024