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Mostrando postagens de fevereiro, 2012

Verdades individuais - parte 1.

1. Eu solto palavra no mundo porque palavra é que nem passarinho achado perdido do ninho: não nos pertence, mas é cuidado por nós até o momento em que está pronto pra voar. Egoísmo e malvadeza é prender passarinho na gaiola da gente. Tem coisa mais bonita que canto de passarinho que voa livre? 2. Eu falo e escrevo pra mim, só eu preciso me entender. Ou, às vezes, nem eu. O que importa é que, se eu quisesse explicar para os outros, não teria nada pra dizer. Não dá pra explicar toque de pluma com conta de somar. 3. Eu calo muito porque eu falo muito. Eu falo muito porque eu penso muito. Eu penso muito porque eu calo muito. 4. Inspiração é como aquela tia inoportuna que nunca avisa quando vem visitar, sempre se mete na sua vida e nunca pede desculpas pelo incômodo. 5. Eu brinco de ser normal porque ser louco é que não é brincadeira. Marcela Quintela 28 de fevereiro de 2012

Já faz tempo

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Mudança, muitas vezes, é fazer a mesma coisa, só que diferente. Desde cedo sou frequentadora de avião. A família se espalhou pelo Brasil e era o avião que me conduzia às férias gostosas com os primos queridos. O tempo corria ligeiro: bastava um cochilo no ombro da mamãe depois de encher a barriga com a comida gostosa do vôo – porque, naquela época, as companhias serviam verdadeiros banquetes no menu infantil – e pronto: chegamos. A viagem era curta e a mente era tranquila. Avião, pra mim, era carro que voa pra me deixar mais rápido no lugar onde a – mesma – diversão das férias acontecia. Mas isso já faz tempo, foi na época em que as redações sobre as férias eram sempre iguais. Quando a gente muda, o mundo muda com a gente. Fiquei uns dois anos em falta com a minha assiduidade aérea; coisas da vida. Eu bem sabia que não tardaria a viajar pelos céus novamente, o que eu esqueci é que “eu”, depois de dois anos, era um “eu” diferente. Voltei aos carros voadores, mas os destinos alongara...

Dia de sofrer

Seu corpo era todo agonia. Um nó sem fim retorcia seu estômago, suas pálpebras pesavam com as dolorosas lágrimas dolorosas, suas pernas estavam fracas de desânimo, seus ombros caíam com o peso do mundo. A mão fatigada rabisca sentimento no papel. O mundo era todo gris e embaçado, a comida era toda insossa, o existir era todo desconforto. Subitamente, como um raio que parte ao meio uma suntuosa árvore, viver perdera o sentido. As memórias lhe doíam a mente como mil cruéis agulhadas. Não havia conforto nas lembranças. Passava a palma da mão na testa, com força, como se o gesto físico pudesse apagar a abstração do pensamento. A lágrima turva molha o papel. Era como se toda felicidade que sentira, como que em busca do equilíbrio de Universo, estivesse sendo devolvida em tristeza de igual intensidade. Quase desejava não ter sido tão feliz. Os cantos dos lábios pesavam com a gravidade. O mesmo rosto que mobilizou seus músculos para tantos sorrisos e gargalhadas agora era a expressão ma...