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Sobra Vida

Eu não tenho medo da morte. E, atenção, digo isso com toda a humildade de quem já foi apavorada com o conceito de morrer. Algo na finitude, na falta de controle e na força do ato de ir pra nunca mais voltar é realmente digno de pavor. Mas, por acaso, a vida quis me apresentar a morte e, por escolha, eu decidi que queria chegar a termos com esta vizinha inevitável. E às vezes penso que a morte é mesmo isso: vizinha da vida. Não dá pra olhar pra uma sem saber da outra e eu penso até que elas não se gostam muito, mas convivem em certa harmonia. E é mesmo que assim que deve ser. O medo da morte nada mais é do que o medo da vida. E essa conclusão foi crucial para que eu, além de conhecer, aprendesse a lidar com a tal da morte. O medo de não voltar é a mera consequência do receio de nunca ter chegado. Ou de não ter aproveitado a visita de quem chegou nas nossas vidas antes que se saia pela porta afora sem chance de regresso. É um tanto aquele conceito de que não existe "risco de vida...

O amor nos tempos do corona

     Eu não sei bem o que diria Gabriel García Márquez, mas a verdade é que estamos todos vivendo dias estranhos. Não é a nossa primeira pandemia, mas eu arriscaria dizer que entrou para a lista das mais assustadoras que já tivemos. Ou, ao menos para a minha jovem geração, a com mais impacto nas nossas vidas. Temos uma certa fama de antissociais com os nossos narizes sempre grudados nas telas dos celulares e adoramos aqueles memes que dizem que já estamos velhos demais para eventos sociais, mas a verdade é que nenhuma maratona de “Netflix and Chill” nos preparou para o dia em que seríamos realmente impedidos de sair de casa e socializarmos.      Somos seres sociais, é inegável. Até os mais introspectivos de nós ainda apreciam aquele seleto grupo de amigos nos programas escolhidos a dedo. Mas a verdade é que nem é preciso entrar tanto por aí, porque o buraco é mais embaixo, não é mesmo? Não estamos só falando daquela cervejinha do fim de semana ou daque...