Sobra Vida
Eu não tenho medo da morte. E, atenção, digo isso com toda a humildade de quem já foi apavorada com o conceito de morrer. Algo na finitude, na falta de controle e na força do ato de ir pra nunca mais voltar é realmente digno de pavor. Mas, por acaso, a vida quis me apresentar a morte e, por escolha, eu decidi que queria chegar a termos com esta vizinha inevitável. E às vezes penso que a morte é mesmo isso: vizinha da vida. Não dá pra olhar pra uma sem saber da outra e eu penso até que elas não se gostam muito, mas convivem em certa harmonia. E é mesmo que assim que deve ser. O medo da morte nada mais é do que o medo da vida. E essa conclusão foi crucial para que eu, além de conhecer, aprendesse a lidar com a tal da morte. O medo de não voltar é a mera consequência do receio de nunca ter chegado. Ou de não ter aproveitado a visita de quem chegou nas nossas vidas antes que se saia pela porta afora sem chance de regresso. É um tanto aquele conceito de que não existe "risco de vida...