Sobra Vida
Eu não tenho medo da morte. E, atenção, digo isso com toda a humildade de quem já foi apavorada com o conceito de morrer. Algo na finitude, na falta de controle e na força do ato de ir pra nunca mais voltar é realmente digno de pavor. Mas, por acaso, a vida quis me apresentar a morte e, por escolha, eu decidi que queria chegar a termos com esta vizinha inevitável. E às vezes penso que a morte é mesmo isso: vizinha da vida. Não dá pra olhar pra uma sem saber da outra e eu penso até que elas não se gostam muito, mas convivem em certa harmonia. E é mesmo que assim que deve ser.
O medo da morte nada mais é do que o medo da vida. E essa conclusão foi crucial para que eu, além de conhecer, aprendesse a lidar com a tal da morte. O medo de não voltar é a mera consequência do receio de nunca ter chegado. Ou de não ter aproveitado a visita de quem chegou nas nossas vidas antes que se saia pela porta afora sem chance de regresso. É um tanto aquele conceito de que não existe "risco de vida", mas sim "risco de morte". A vida não é um risco, arriscado mesmo é não viver.
Eu tenho medo da vida. E acho bem que o medo é a última forma de respeito. Respeitar é dar importância, valor, sentido. E a vida pra mim é o que se tem de mais precioso nessa existência. Talvez pareça óbvio pra quem não divide o existir entre viver e sobreviver, mas a verdade é que existe muito mais sobrevida do que vida nesse mundo e eu vim nesta existência para viver. E viver como deve ser: com medo, com respeito, com sede. E por isso eu me permito ser tanto, eu escolho ser tudo, eu aceito ser demais. Transbordo cada sentimento, exacerbo cada momento, exagero cada pessoa que passa na minha história. Quando o risco virar fato, quero ter errado apenas pelo excesso e ser acusada somente de viver demais. Afinal, já dizia alguém inteligente por aí, na vida é melhor sobrar do que faltar. E eu sigo sobrando.
O medo da morte nada mais é do que o medo da vida. E essa conclusão foi crucial para que eu, além de conhecer, aprendesse a lidar com a tal da morte. O medo de não voltar é a mera consequência do receio de nunca ter chegado. Ou de não ter aproveitado a visita de quem chegou nas nossas vidas antes que se saia pela porta afora sem chance de regresso. É um tanto aquele conceito de que não existe "risco de vida", mas sim "risco de morte". A vida não é um risco, arriscado mesmo é não viver.
Eu tenho medo da vida. E acho bem que o medo é a última forma de respeito. Respeitar é dar importância, valor, sentido. E a vida pra mim é o que se tem de mais precioso nessa existência. Talvez pareça óbvio pra quem não divide o existir entre viver e sobreviver, mas a verdade é que existe muito mais sobrevida do que vida nesse mundo e eu vim nesta existência para viver. E viver como deve ser: com medo, com respeito, com sede. E por isso eu me permito ser tanto, eu escolho ser tudo, eu aceito ser demais. Transbordo cada sentimento, exacerbo cada momento, exagero cada pessoa que passa na minha história. Quando o risco virar fato, quero ter errado apenas pelo excesso e ser acusada somente de viver demais. Afinal, já dizia alguém inteligente por aí, na vida é melhor sobrar do que faltar. E eu sigo sobrando.
Marcela Nunes Quintela
15/09/2019
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