Vidas e verdades
A verdade é que nunca se sabe realmente com quantas lágrimas
se formam alguns sorrisos, com quantas fragilidades se constroem algumas forças
e com quantos pesos se impulsionam algumas levezas. A verdade é que, às vezes,
sorrir é um ato de resistência e encontrar algumas alegrias exige um tanto de
coragem e outro tanto de amor-próprio.
Na era das aparências, na qual os sorrisos capturados pelas
câmeras são tão efêmeros quanto os segundos que eles duram e tão potentes como
a eternidade da captura, tudo é um sopro e todo sopro pode ser um furacão. A
vida é um eterno efeito borboleta e cada bater de asa de uma escolha pode ser a
ventania imparável diante da qual nada resiste, nem mesmo os nossos próprios
desejos e convicções.
Neste tornado chamado vida, só nos resta o equilíbrio quase
dicotômico entre a persistência e a paciência. Viver é dançar conforme a
música, por causa da música, e apesar da música. Persistir é ter a força do
movimento, a esperança do amanhã e a resistência do que nos fundamenta. Ter
paciência é a delicadeza da calmaria, a confiança no hoje e a fluidez da
aceitação.
A vida não precisa ser perfeita para ser maravilhosa. E ela também não espera ninguém, e insiste sempre — apesar de nós mesmos e apesar
dos outros. Entre lágrimas e sorrisos, fragilidades e forças, pesos e levezas,
que possamos sempre resistir. E insistir. E viver.
Marcela Quintela
30 de maio de 2022
Comentários
Postar um comentário